sábado, 27 de dezembro de 2014

Prefeitura de Itaocara (RJ) é condenada por despejo de esgoto no rio Paraíba do Sul



Além da prefeitura, a Cedae também será responsabilizada, em ação do MPF, caso continue lançando desejos sem tratamento na cidade
O Ministério Público Federal (MPF) em Campos dos Goytcazes (RJ) obteve sentença favorável em ação civil pública movida para interromper o lançamento de efluentes, sem tratamento, no meio ambiente, principalmente no rio Paraíba do Sul. Em caso de descumprimento, a prefeitura de Itaocara (RJ) e a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) serão multadas em R$ 1 mil por dia.
“Tanto o município de Itaocara quanto a Cedae, embora tentem esquivar-se da obrigação, possuem responsabilidade objetiva e solidária pelos danos ambientais causados pelo lançamento de efluentes sanitários, sem tratamento, no rio Paraíba do Sul”, destaca o procurador Eduardo Santos de Oliveira, autor da ação.
De acordo com o IBGE, Itaocara tem 23 mil habitantes e, de acordo com a Lei Estadual n° 2.661/96, os municípios com mais de 20 mil moradores deveriam elaborar e aprovar plano de coleta, transporte, tratamento e disposição de seus efluentes e resíduos sanitários para as cidades situadas na bacia do rio Paraíba do Sul.
“Não se pode, evidentemente, pensar em meio ambiente ecologicamente equilibrado e em saúde da população sem que se dê especial proteção a um dos recursos naturais mais preciosos: a água”, destacou o juiz federal substituto Vinícius Vieira Indarte, que proferiu a sentença favorável aos pedidos do MPF.
Campanha em prol do rio
Em outubro deste ano, o MPF lançou a campanha “No Fluxo da Vida: cada gota conta”, em prol do rio Paraíba do Sul. O objetivo da campanha é multiplicar-se física e virtualmente atingindo, ao longo do tempo, todos os municípios brasileiros, bem como promover, junto à população brasileira, uma mudança no modo de ver e tratar os recursos hídricos, já que impera a crença de que estes são abundantes e de todo o modo, renováveis. Com isto, espera-se contribuir com o uso comedido da água, evitando-se escassez, conflitos e racionamentos, implementando uma gestão eficiente do meio ambiente no concernente à água doce.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Falta Tratamento Esgoto

A falta desse tratamento já causa tremendas perdas econômicas e ambientais, pois prejudica a balneabilidade de rios e praias. Entretanto, a captação e o tratamento do esgoto doméstico decorrente da água que será fornecida,  o que comprometerá ainda mais a qualidade dos mananciais, rios, praias e mar, ou seja, a saúde ambiental da região.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ao lado de onde será a Rio+20, favela joga parte de seu esgoto não tratado em rio


 
Localizada a menos de 5 quilômetros de onde será a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Cnuds), a Rio+20, a comunidade de Francisco de Assis, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, é uma das centenas de comunidades brasileiras que não têm sistema adequado de coleta e tratamento de esgoto.
Grande parte das casas da comunidade, que abriga cerca de mil pessoas, joga seu esgoto diretamente no Arroio Pavuna, rio que margeia a comunidade e desemboca na Lagoa de Jacarepaguá, em frente ao Riocentro, onde será a Rio+20.
A outra parte das moradias é atendida por um sistema de coleta. Ainda assim, pelo menos parte desses resíduos coletados acaba no rio, já que é jogado na rede de águas pluviais. A Agência Brasil constatou que há esgoto saindo da rede de drenagem da comunidade, mesmo em um dia sem chuvas.
Além da consequência mais evidente, que é a poluição de corpos hídricos [cursos d´água ou reservatórios] que cortam grande parte dos bairros de Jacarepaguá e da Barra da Tijuca, a falta de saneamento básico cria também problemas de saúde para a população.
Durante visita da Agência à comunidade, um grupo de cinco crianças brincava às margens do rio, que tem a aparência de um valão, de cor cinza, cheio de esgoto e lixo.
“Nessa favela, o esgoto vai todo para dentro desse rio. A gente tem medo de doença. Na minha casa, em abril do ano retrasado, a água veio na minha cintura. Um vizinho já pegou cólera e um outro teve hepatite”, conta a moradora Ginalva dos Santos, de 51 anos, que vive com dois filhos e cinco netos em uma casa ao lado do rio.
Maria do Carmo da Silva, de 65 anos, conta que joga o esgoto de sua casa direto no curso d’água.
“Tem muito mosquito. É uma coisa insuportável, a gente não consegue nem dormir direito. Acho que deveríamos ter saneamento. Seria o certo, né?”, questionou a moradora.
A líder comunitária Ana Maria Costa disse que a comunidade também tem problemas com infestações de ratos devido ao acúmulo de lixo nas margens do rio e que os moradores vêm “batalhando desde 2009 para conseguir fazer um saneamento básico direito”.
Responsável pelo saneamento na região, a Fundação Rio-Águas informou que a comunidade Francisco de Assis será atendida ainda neste semestre por um pacote de intervenções de manutenção de esgoto que está em licitação na prefeitura.
Entre as intervenções que serão feitas estão serviços de desobstrução e reparo na rede. Também será realizada vistoria para identificação de possíveis redes clandestinas de esgoto que estejam sendo jogadas no sistema de águas pluviais, que desemboca no rio.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Tratar o esgoto antes de joga-lo no mar: estudo aponta alternativa para emissarios submarinos

emissario submarinoAlgumas cidades litorâneas brasileiras possuem sistemas de tratamento de esgoto sanitário que utilizam tubulações (emissários submarinos) para lançar efluentes domésticos ou industriais em grandes profundidades no oceano, devido à alta capacidade de dispersão de contaminantes pelo mar.
No entanto, ainda não há no país uma legislação que estabeleça qual pré-tratamento deve ser adotado pelos emissários submarinos e quais compostos presentes no esgoto precisam ser removidos antes de chegar ao mar, de modo a minimizar os impactos ambientais.
Um estudo de doutorado, realizado pelo oceanógrafo Eduardo Lucas Subtil no Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), com Bolsa da FAPESP, apontou qual seria a melhor opção de pré-tratamento e o principal composto a ser removido no esgoto lançado por emissários submarinos com vazão elevada, como o de Santos, no litoral paulista.
A pesquisa concluiu que a aplicação de produtos químicos específicos, em um tratamento denominado “primário avançado”, seria capaz de remover os sólidos suspensos e elementos presentes no esgoto que passam pelo emissário submarino, como o fósforo.
Os resultados do estudo já começaram a despertar o interesse e podem servir de subsídio para órgãos de fiscalização ambiental elaborarem legislações específicas para emissários submarinos.
“Na maioria dos países já existem leis ambientais para isso. No Brasil, a primeira legislação que menciona emissários submarinos foi lançada em 2011 pelo Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente], que estabeleceu como tratamento mínimo obrigatório a remoção de 20% dos sólidos suspensos. Mas essa medida ainda é insuficiente para emissários submarinos de vazão elevada e localizados em regiões de circulação marinha restrita”, disse Subtil à Agência FAPESP.
De acordo com o pesquisador, a readequação do sistema de tratamento do esgoto lançado pelo emissário submarino de Santos representaria uma solução para manter o atual nível de vazão do sistema.
Administrado pela Sabesp, o emissário oceânico de Santos, instalado em 1978, com aproximadamente 4,5 mil metros de extensão, é o mais antigo do litoral paulista e o que apresenta maior vazão de esgoto.
Autorizado a lançar atualmente até 5,3 m3 de esgoto por segundo, o emissário não consegue dispersar adequadamente a carga de contaminantes que despeja no mar por meio do sistema de tratamento que utiliza hoje.
Do tipo preliminar, o sistema também adotado em outros emissários submarinos existentes no Brasil utiliza peneiras para retirar as partículas mais grossas da água e lança o restante no oceano por meio de um sistema difusor, localizado no final do emissário, que promove a diluição e a mistura do efluente com a água do mar.
Entretanto, com o aumento cada vez maior da vazão do emissário submarino e a configuração adotada com o tratamento preliminar do esgoto, o sistema se tornou incapaz de controlar e diminuir a concentração de fósforo, que em níveis excessivos na água no mar pode provocar o crescimento de algas tóxicas, a contaminação e morte de peixes e espécies vegetais, além de provocar odores desagradáveis.
“No caso do emissário submarino de Santos, o tratamento preliminar do esgoto se tornou insustentável. É preciso reduzir a vazão do emissário ou readequar o sistema de tratamento para continuar com a mesma capacidade de vazão autorizada. Isso seria a solução mais factível, até mesmo porque já existe uma rede de coleta de esgoto instalada”, disse Subtil.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Tratamento Esgoto




Um sonho, talvez não possível de alcançar totalmente do governo estadual, mas possível de se estruturar uma solução, é tirar o Estado do Rio da vergonhosa situação de ter apenas 60% de coleta de esgoto e menos de 25% de tratamento deste esgoto coletado. Isto significa que 85% do esgoto produzido diariamente vão parar in natura nos canais, rios, lagos e praias do estado. Além disso, pretendemos, em parceria com a Cedae, retomar a despoluição da Baía de Guanabara completou.



sábado, 13 de dezembro de 2014

Significado da Mata Atlântica?

Antes de entender como preservar é necessário entender o verdadeiro significado da Mata Atlântica. De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica pode ser definida como bioma natural de ecossistemas que possui desde presença de florestas tropicais até mangues. Considerado como um dos maiores conjuntos vegetativos quando o assunto é diversidade geográfica, vegetativa e até mesmo animal.

Neste sentido não é considerada somente como floresta do tipo atlântico, situado próxima do litoral brasileiro como também representa cadeias de processos ecológicos interligados entre si. Formações florestas contínuas estendidas até o serrado, os campos e a caatinga. Outro ponto que não pode ser ignorado esta no fato de que na região existem grandes árvores e dossel contínuo, com copas que se tocam. O bioma da Mata Atlântica possui total de 22 mil espécies, das quais nove mil são endêmicas e superam as encontradas na biodiversidade do Amazonas.

Porém, quase quatrocentas espécies de plantas e animais estão consideradas em extinção. A extensão territorial da Mata Atlântica compreende desde o Piauí até parte do Rio Grande do Sul, cobrindo assim dezessete estados. Seu formato original absorvia quinze por cento antes dos indígenas descerem ao norte do Brasil para colonizar a região. Grande parte da concentração está situada em São Paulo, no Valo do Ribeira.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Destruição da Mata Atlântica


A destruição da Mata Atlântica começou no início da colonização européia, com a extração do pau-brasil  e continua até os dias atuais, principalmente pela pressão urbana.
A Mata Atlântica originalmente ocupava 16% do território brasileiro, distribuída por 17 Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, e Piauí. Atualmente este ecossistema está reduzido a menos de 7% de sua extensão original, dispostos de forma fragmentada ao longo da costa brasileira, no interior das regiões Sul e Sudeste, além de trechos nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e no interior dos estados nordestinos.  Do que se perdeu, pouco se sabe, milhares, ou talvez milhões, de espécies não puderam ser conhecidas.
Das espécies vegetais, muitas correm risco de extinção por terem seu ecossistema reduzido, por serem retiradas da mata para comercialização ilegal ou por serem extraídas de forma irracional como ocorreu com o pau-brasil e atualmente ocorre com o palmito juçara (Euterpe edulis), entre muitas outras espécies.
Para a fauna, observa-se um número elevado de espécies ameaçadas de extinção, sendo a fragmentação deste ecossistema, uma das principais causas. A fragmentação do habitat de algumas espécies, principalmente de mamíferos de médio e grande porte, faz com que as populações remanescentes, em geral, estejam subdivididas e representadas por um número consideravelmente pequeno de indivíduos.
Apesar de toda a destruição que o ecossistema vem sofrendo, aproximadamente 100 milhões de brasileiros dependem desta floresta para a produção de água, manutenção do equilíbrio climático e controle da erosão e enchentes. Em 1985, em Cubatão, no litoral do estado de São Paulo, devido à poluição intensa das indústrias da cidade (conhecida, no passado, como Vale da Morte) e às chuvas fortes do mês de fevereiro, houve um enorme deslizamento da Serra do Mar sobre esta cidade, gerando uma situação de calamidade pública. Comunidades tradicionais que habitam áreas costeiras, vem sendo "empurradas" para o interior ou para as grandes capitais por conta do avanço imobiliário nestas regiões.
 
Principais agressões à Mata Atlântica:
Está sendo derrubada para:
- Extração de madeira;
- Moradia, construção de cidades;
- Agricultura;
- Industrialização, e conseqüentemente poluição;
- Construção de rodovias
Além de derrubada sofre:
- Pesca predatória em seus rios;
- Turismo desordenado;
- Comércio ilegal de plantas e animais nativos;
- Exportação ilegal de material genético;
- Fragmentação das áreas preservadas.  

domingo, 7 de dezembro de 2014

Mata Atlântica - Pela conservação da Mata Atlântica

Variados tipos de florestas, relevos e populações dão cara à Mata Atlântica, ao longo de 17 estados brasileiros, Paraguai e Argentina. Recordista mundial em biodiversidade, essa floresta tropical é também uma das mais ameaçadas do planeta, com 8,5%* de sua área original sobrevivendo na região mais desenvolvida e ocupada do país.
A partir desse cenário, o Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil vem trabalhando com a missão de aliar o bem-estar humano à conservação da biodiversidade, qualidade e integridade do solo e dos recursos hídricos.

Para isso, atua com linhas de ação focadas nos poucos remanescentes que se mantém: a linha de planejamento ecorregional, que visa nortear ações para a conservação e uso sustentável dos recursos naturais; a de áreas protegidas, apoiando a criação e implantação de Unidades de Conservação (UC) no Bioma; e a de reabilitação da paisagem, visando um aumento da área de florestas integradas às atividades econômicas.

Duas importantes concepções orientam as iniciativas do programa desde o início: a definição de Ecorregiões – extensas partes de terra ou água que compartilham espécies e condições ambientais comuns – e a Visão de Biodiversidade – uma ferramenta de planejamento que identifica áreas críticas a serem conservadas em escala de 50 a 100 anos.

Os projetos se basearam, assim, na Ecorregião Florestas do Alto Paraná, Ecorregião Florestas Costeiras de Pernambuco e Ecorregião da Serra do Mar. Aos poucos, vem-se promovendo a articulação entre diferentes públicos que interferem na manutenção da Mata Atlântica: proprietários de terra, poder executivo e legislativo, organizações locais entre outros.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Novo mapa das Unidades de Conservação (estaduais e federais, de  Proteção Integral e de Uso Sustentável) do estado do Rio de Janeiro. Preparado em 2014 pela equipe da Gerência de Geoprocessamento e Estudos Ambientais - Geopea/Inea/RJ.

https://dl.dropboxusercontent.com/u/40514347/UC_estaduais_federais_A1_jun2014_sem%20vias%20e%20hidrografia.jpg 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Folheto do Inea combate ao crime de Tráfico de Animais Silvestres

Foi publicado pelo Instituto Estadual do Ambiente - Inea, do Rio de Janeiro, um folheto explicativo sobre o combate ao crime de Tráfico de Animais Silvestres. Esta é a primeira publicação da Gerência de Fauna - Gefau, pertencente à Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas - Dibap, e já está sendo distribuída para uso das Unidades de Conservação e Superintendências do Inea em atividades educativas e para informação de turistas e da população em geral.

O texto simples e conciso explica os malefícios do tráfico de animais silvestres para as vítimas diretas (os animais silvestres), para o ambiente e para o comprador dos animais traficados. Também explica sobre a legislação pertinente ao tema, sobre as estatísticas desse crime, como denunciar crimes contra a fauna e quais as atitudes positivas que podem ajudar a proteger a fauna.


Com o objetivo de difundir esse combate e informar um número ainda maior de pessoas, o Inea disponibiliza às prefeituras e outras instituições interessadas, a possibilidade de incluírem sua logomarca, na forma de apoio, no folheto para futura distribuição em seus Municípios. Aqueles interessados devem encaminhar ao Inea, para o endereço eletrônico gefau.rj@gmail.com, um pedido formal, incluindo a logomarca da instituição que, se autorizada, será inserida na arte do folheto.

Os representantes dos órgãos e instituições interessados deverão enviar as logomarcas em arquivo de imagem de alta resolução. O arquivo digital finalizado será enviado, por email, aos solicitantes, para que realizem a impressão dos folhetos às suas expensas, assim como, a sua divulgação entre a população local.
 
 
 
 
 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Morro da Boa Vista

Morro da Boa Vista


O Morro da Boa Vista pertence ao Parque Estadual Cunhambebe, podemos chegar através de uma trilha estreita, desviando plantas na altura do rosto e das pernas e muito cuidado com os pontos mais íngremes.



A superfície do morro é toda coberta por vegetação rasteira, com muitos cactos. (Em dias quentes como esse, não há sombra pra se proteger, portanto não se esqueça de levar agua e protetor solar!). Nesse instante, você tem certeza que todo o incomodo do caminho valeu a pena, pois a vista dali é sensacional. De lá é possível ver a Praia de Grumari, as Praias Selvagens de Guaratiba  e a Pedra da Tartaruga, também em Barra de Guaratiba. É realmente uma vista incrível, pois a interferência humana ali é mínima.

Seguindo um pouco mais adiante você chega a outro ponto de vista e, de lá, é possível tirar ótimas fotos (como a que segue abaixo). Só tome cuidado pois no entorno há muitas plantas espinhosas rasteiras, como cactos. É quase inevitável sair dessa trilha sem nenhum arranhão, mas nada que preocupe, faz parte da aventura






sábado, 22 de novembro de 2014

Montanhismo Brasileiro

O Pão de Açúcar
No Brasil, até o século XVIII, algumas montanhas já haviam sido escaladas. Porém, tais ascensões, realizadas principalmente por bandeirantes, tinham caráter exploratório e não ficaram registradas. No início do século XIX, mais precisamente em 1817, foi registrada a primeira ascensão ao cume do Pão de Açúcar (396m), no Rio de Janeiro. A inglesa Henrietta Carsteirs, aos 39 anos, aventurou-se pela rocha e fincou a bandeira de seu país no topo. Quem sabe o eco do Mont Blanc havia chegado às terras tupiniquins? Talvez ela tenha sido influenciada pela primeira ascensão feminina ao Mont Blanc, em 1808. Mas isso é apenas uma suposição.
Pedra da Gávea, RJ - Brasil. Foto dos autores.O certo é que esse acontecimento causou certa agitação na cidade do Rio de Janeiro, seja pelo seu cunho de audácia ou por despertar sentimentos nacionalistas nos colonizadores portugueses. Motivado por esse sentimento, no dia seguinte ao feito de Carsteirs o soldado lusitano José Maria Gonçalves chegou ao cume do Pão de Açúcar. Lá, trocou a bandeira do Reino Unido pelo Pavilhão Real Português.

Neste mesmo século, outras montanhas viriam a ser conquistadas no Brasil. Em 1824, D. Pedro I acompanhou pessoalmente a abertura de uma trilha até o cume do Corcovado (704m), também no Rio de Janeiro. Em 1828, já eram registradas ascensões à Pedra da Gávea (842m). Em 1841, foi atingido o cume da Pedra do Sino (2.263m), em Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro. Em 1879, o Monte Olimpo Agulhas Negras, RJ - Brasil. Foto dos autores.

O Dedo de Deus
O dia 8 de abril de 1912, no entanto, marcou definitivamente o início do montanhismo no Brasil, exatamente como a ascensão do Mont Blanc havia decretado o início do alpinismo, quase 126 anos antes. Neste dia, um grupo de teresopolitanos chegou ao cume do Dedo de Deus (1.675m), na Serra dos Órgãos, em Teresópolis. Antes, alemães já haviam tentado escalar a montanha, mas foram vencidos pelo difícil acesso e pelas diferenças em relação ao tipo de rocha a que estavam acostumados na Europa. Este fracasso e a presunçosa afirmação posterior dos alemães, de que, se eles não conseguiram conquistar o Dedo de Deus, ninguém mais conseguiria, foi o que motivou José Teixeira Guimarães a escalar a montanha. Ferreiro pernambucano radicado em Teresópolis, ele foi acompanhado na empreitada por RaulA conquista do Dedo de Deus foi realizada pela face oposta à que se vê na foto. Foto dos autores.Carneiro, um caçador local que serviu de guia aos alemães pelas matas da serra, e os irmãos Alexandre, Américo e Acácio de Oliveira.
Foram ao todo sete dias acampados na base da montanha. Para vencê-la, Teixeira e seus companheiros fixaram grampos como proteções no granito, além de grossas varas de bambu, munidas de degraus, para vencer os trechos mais lisos da parede. Também subiam nos ombros uns dos outros para conseguir ganhar altura. Por sorte, muitos trechos da via de conquista contam com chaminés, o que facilita a ascensão.
Foi assim, com muita criatividade e suor, que eles conseguiram atingir o cume, sendo recebidos depois como heróis e com muita festa em Teresópolis. Até mesmo o então presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, tomou conhecimento do feito e mandou um telegrama de congratulações. Foram necessários quase 20 anos para que o Dedo de Deus voltasse a ser escalado. Porém, antes disso, em 1919, houve um segundo fato de extrema importância para o montanhismo nacional: a fundação do primeiro clube excursionista da América do Sul, o Centro Excursionista Brasileiro (Ceb), no Rio de Janeiro.
Leia mais sobre a conquista do Dedo de Deus aqui.

A Serra dos Órgãos

No Brasil, na década de 1930, o grande palco para os escaladores foram as belas montanhas da Serra dos Órgãos, na região serrana do Rio de Janeiro. Sobre esse período, Waldecy Lucena, no livro “História do Montanhismo no Rio de Janeiro” (Editora Publit), escreveu: “Os anos 1930 foram gloriosos em termos de aprendizado e novas conquistas. Passada a fase de amadurecimento, que se deu nos anos 1920, os excursionistas, principalmente do Ceb, deixaram para trás as montanhas de ascensão mais fácil e passaram a explorar as mais ousadas”.A via normal do Nariz do Frade (Serra dos Órgãos, Teresópolis). Foto Antonio Paulo.
Em 1931, o Escalavrado e o Cabeça de Peixe foram subidos pela primeira vez e, no ano seguinte, foi aberta a Travessia Petrópolis-Teresópolis. Em 1933, o Nariz do Frade foi escalado por teresopolitanos e, em 1934, o casal Wilfred e Sylvia Bendy chegaram pela primeira vez ao topo do Dedo de Nossa Senhora. Também em 1931, após várias tentativas, foi realizada, 19 anos depois, a primeira repetição do Dedo de Deus, por Richard Brackmann, Otto Hartmann e Karl Siegel. A foto deles no cume foi estampada na primeira página do jornal O Globo, e não deixa dúvidas quanto ao êxito da empreitada. 
No início da década de 1930 também foram conquistados o Santo Antônio, São João, São Pedro e Garrafão, todos na Serra dos Órgãos, e a Maria Comprida, em Araras (Petrópolis). Nestas últimas montanhas nota-se a participação de Emerico Ungar, o primeiro grande desbravador da Serra dos Órgãos. Pelos nomes dos montanhistas de então percebe-se que havia um predomínio de estrangeiros, principalmente alemães e austríacos. Eles viviam no Brasil, mas já traziam de seus países noções de escalada e o amor pelas montanhas. Entre eles, o de maior destaque na época foi Richard Willy Brackmann, responsável pela primeira repetição do Dedo de Deus e por 32 primazias e conquistas, incluindo inúmeras montanhas em Itatiaia, além do Cabeça de Peixe e dos Picos Menor e Médio de Salinas, em Nova Friburgo.
Logo também surgiram novos clubes, como Petropolitano, Friburguense, Teresopolitano e o Centro Excursionista Rio de Janeiro (Cerj), que, no mesmo ano de sua fundação, 1939, criou a primeira escola técnica de guias do País.
A Agulha do Diabo
Na década de 1940 as coisas não mudaram muito, apenas pelas tentativas de montanhas ainda mais difíceis e complexas do que as de antes. O símbolo desta década, pela dificuldade que representava na época, é a conquista da Agulha do Diabo, em 1940. Seu cume só foi pisado depois de dois anos de investidas e de 26 grampos batidos pelos conquistadores, os brasileiros Giuseppe Toselli, Almy Ulissea e Roberto Menezes de Oliveira, o italiano Raul Fioratti e o alemão Günther Bucheister, todos membros do Ceb. O equipamento utilizado e a técnica de conquista eram os mesmos dos primórdios. A rocha lisa era perfurada por dias, içando-se em seguida pesados troncos e cabos de aço.
Pico Maior,onde fica a via Sylvio Mendes. Foto dos autores.
A Agulha do Diabo (Serra dos Órgãos, Teresópolis). Foto dos autores.
No centro da parade da face sul do Corcovado está a Chaminé Rio de Janeiro. Foto dos autores.Em 1944, foi realizada uma outra importante conquista, a chaminé Stop, por Sylvio Mendes, um escalador à frente de seu tempo, e os irmãos Guido e Rolf Vergelle. Com 240 metros, foi a primeira grande via do Pão de Açúcar e a segunda na montanha. Foi uma conquista rápida e com poucos grampos para os padrões da época. Sylvio Mendes também conquistou o Pico do Itabira em Cachoeiro do Itapemerim (Espírito Santo), em 1947, com cerca de 400 metros e que foi considerada durante muito tempo a via mais difícil do Brasil. Ele conquistou também o Pico Maior, em Salinas, Nova Friburgo (RJ), em 1946, junto com Índio do Brasil e Reinaldo dos Santos, (via Sylvio Mendes, com 300 metros), e a chaminé Rio de Janeiro, na face sul do Corcovado, em 1949 (350 metros), com Índio do Brasil e Reinaldo Behnken, a primeira via aberta na mais vertical parede da cidade do Rio de Janeiro. Sylvio era membro do Cerj, clube que contava com excelentes escaladores nesta época, entre eles os já citados Índio do Brasil e Reinaldo Behnken.
adeusz Hollup durante um rapel típico da época, com a corda no corpo. Foto arquivo Guido Vergelle.
O equipamento utilizado na época: corda de sisal e botas com cardas na sola. Foto arquivo CEC/Ivan Calou.adeusz Hollup numa repetição da Chaminé Stop (Urca, Rio de Janeiro), em 1952. Foto arquivo Guido Vergelle.
Importante também foi a conquista da face leste do Dedo de Deus, que se tornaria a via normal desta montanha. Utilizando apenas proteções naturais, pitons e cunhas de madeira, sem nenhum furo na pedra, Almy Ullysea, Antônio Taveira e Ulysses Braga, todos do Ceb, chegaram ao cume em 1944.
Em outros Estados do País a escalada técnica também se desenvolvia. No Paraná, mais precisamente no Marumbi, elas eram abertas desde 1942. A partir de 1948, com os ensinamentos de Erwin Gröger, começaram as conquistas mais ousadas, como a fenda principal no Abrolhos. Em São Paulo, a Pedra do Baú foi escalada pela primeira vez em 1940, pelos irmãos Antônio e João Teixeira de Souza. No final dos anos 1950, Domingos Giobbi, fundador do Clube Alpino Paulista (Cap), criou três campos-escola no Pico do Jaraguá, onde foram ministrados os primeiros treinamentos do clube. Em 1952, Edgar Kittelmann, Luis Gonzaga Cony e Giuseppe Gâmbaro realizaram a primeira escalada do Rio Grande do Sul, no Pico dos Gravatás, em Gravataí. 
O conjunto Marumbi, Paraná. Foto dos autores.A Pedra do Baú (São Bento do Sapucaí, São Paulo). Foto Silvio Neto.
A face leste do Dedo de Deus (Serra dos Órgãos). Foto dos autores.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Os conselheiros verdes (matéria publicada no Jornal Atual)

Empreendedores de Itaguaí são convidados a integrar grupo que vai contribuir para normatizar as atividades no Parque Estadual Cunhambebe

Um encontro recente na cidade de Rio Claro começou a dar um esboço ao que será o Conselho do Parque Estadual Cunhambebe, órgão que vai nascer com a finalidade de normatizar o uso de uma cadeia de montanhas que se estende entre os municípios de Angra dos Reis, Mangaratiba, Itaguaí e Rio Claro. Empresário com experiência de sete anos no ramo, Marcelo Valverde, proprietário da Montanha do Oeste Esportes de Aventura, é um dos representantes de Itaguaí convidados para a empreitada. O outro é o turismólogo Nelson Wenglarek, idealizador e coordenador dos projetos “Onça Pintada” e “Aguçando os Sentidos”, ambos embasados no conceito do Ecoturismo. A dupla vive agora a expectativa da formalização da função, decididos a contribuir para conscientizar a população sobre a importância daquele ecossistema.

Concebido para funcionar sob gestão do Instituto Estadual do Ambiente, o Conselho do Parque Cunhambebe reúne empresas do ramo, gestores públicos e a comunidade. Dele participam representantes de empresas como ThyssenKrupp, Light e de entidades como a Fundação Oswaldo Cruz e as prefeituras locais. A presença da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro é esperada por participantes do órgão, que, embora recente, já despertou atenção além-fronteira. “Uma universidade da França já manifestou desejo de integrá-lo, inclusive propondo investimentos em pesquisa”, diz Nelson Wenglarek.

Depois da formalização do órgão, que deve acontecer em agosto, as etapas que se seguirão é a de organização de seu regimento interno, a montagem de um calendário de ações e a organização de reuniões itinerantes. Marcelo Valverde acredita que o órgão será fundamental para que se adote providências como a normatização de funcionamento do parque, as formas de utilização, a implantação do serviço de guardas-parque e o treinamento de pessoal. Para ele, essas iniciativas são indispensáveis à preparação do local para receber visitantes. Nelson Wenglartek, por sua vez, sustenta que o projeto deve inspirar experiências voltadas para o agronegócio. Ele cita, por exemplo, o caso da palmeira Jussara, espécie nativa da Mata Atlântica com grande valor comercial. “É necessário incentivar a área de reserva cientificamente, segundo o conceito da sustentabilidade”, diz Wenglarek.

Parque se estende por 38 mil hectares

Criado através do Decreto Estadual nº 41.358, de 13 de Junho de 2008, o Parque Estadual Cunhambebe tem área de 38 mil hectares e abrange parte dos municípios de Mangaratiba, Angra dos Reis, Rio Claro e Itaguaí. A unidade protege uma região de vegetação nativa, formando um contínuo florestal com o Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Terra Indígena de Bracuhy, o que assegura a preservação de espécies animais e vegetais ameaçadas com a fragmentação dos remanescentes da Mata Atlântica. Cerca de 95% de suas terras são compostas por florestas bem conservadas, possuindo ainda fontes de abastecimento de água para a população do sul do estado, como a Bacia da Represa de Ribeirão das Lajes.

Área tem espécies ameaçadas de extinção

De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente, a fauna da região e composta por espécies como o mono carvoeiro, a lontra, a queixada, o cateto e o teiú, além de espécies ameaçadas de extinção, como, por exemplo, a anta, um sapo da espécie Cylloramphus eleutherodactylus e um primata da espécie Callithrix aurita. Dentro dos seus limites estão várias áreas de interesse turístico, como a antiga Estrada Imperial, no Distrito de São João Marcos, que conta com mirantes, edificações e ruínas típicas do período colonial. Outros pontos de interesse são o Pico do Sinfrônio, com 1,5 mil metros, em Angra dos Reis, e o Pico das Três Orelhas (1,1 mil metros), em Mangaratiba. Trilhas, cachoeiras e paredões para escalada contam-se entre as principais atrações para os adeptos de esportes de aventura.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

As Primeiras Manifestações de montanhismo no Brasil


Não podemos fixar uma data para o começo do montanhismo no Brasil, muito menos achar a paternidade, porque nada disso aconteceu. O montanhismo brasileiro simplesmente apareceu de forma natural entre os séculos XVIII e XIX e evoluiu por conta dos próprios brasileiros e também dos imigrantes. 
As primeiras atividades nas montanhas brasileiras foram realizadas por garimpeiros e caçadores, e ainda não sabemos nada com relação aos nossos índios. Os jesuítas, muitos deles imigrantes, também já se aventuravam pelos topos das nossas montanhas em 1.700. Por exemplo, o Pico do Papagaio (2.293 m), situado Aiuruoca (MG), já era visitado por jesuítas e pelos escravos em 1726. Os picos da Serra do Caraça (MG), como Inficionado (2.068m), Sol (2.072 m) e Carapuça (1.909m), provavelmente foram subidos pelos jesuítas entre 1770 e 1780. E os topos de outras montanhas mineiras, entre eleas o Itambé (2.044 m) e Itacolomi (1.620 m), provavelmente já foram visitadas ao longo do século XVIIII pelos jesuítas, garimpeiros o caçadores. 
Em 1763, as pessoas já iam pelo menos até a base das Agulhas Negras (áreas próxima onde fica hoje o abrigo Massenas), porque o primeiros registro de neve no Brasile veio de lá e foi naquele ano. Aliás, ninguém sabe ao certo quem e quando o Pico das Agulhas Negras (2.791 m) foi subido pela primeira vez, sabe-se apenas que as primeiras tentativas conhecidas foram feitas em 1856, por José Franklin da Silva (Massena) e colaboradores. Porém, o crédito é dado a Horácio de Carvalho e José Borba que, segundo relatos, chegaram ao topo em 1898”. Todavia, o ponto culminante das Agulhas Negras só seria alcançado em 1919, por Carlos Spierling, Oswaldo leal e João Freitas. 
Neste mesmo século (XIX), o Pão de Açúcar entra em destaque na história do montanhismo nacional. A primeira ascensão conhecida, em 1817, foi atribuída à inglesa Henrietta Carsteirs. Em 1851, 1877 e 1899, várias pessoas, estrangeiras e brasileiras escalaram o Pão de Açúcar e posteriormente as subidas se tornaram freqüentes. As primeiras ascensões tiveram uma certa conotação nacionalista, mas posteriormente passaram a ser manifestações puramente esportivas. Poderia ter nascido aí o montanhismo brasileiro, porque depois de várias outras montanhas foram subidas pelo mesmo propósito, o de aventura esportiva. 
A Pedra da Gávea (842m), também na Cidade do Rio de Janeiro, foi subida antes de 1828 e na década de 1920, a via de acesso era considerada uma escalada técnica, como relata a Ata da primeira excursão oficial do Centro Excursionista Brasileiro, fundado em 1919. (...) O problema é que não há registro histórico das primeiras ascensões de algumas de nossas montanhas. De qualquer forma, varias outras de dificuldade técnica igual ou inferior à Pedra da Gávea e o Pão de Açúcar foram subidas em alguns estados brasileiros, por exemplo:
  • A Pedra do Sino (2.263m), em Teresópilos (RJ), foi subida pela primeira vez pelo escocês George Gardner e dois mateiros de Teresópolis, em 1841;
  • O Pico da Bandeira (2.891m), Minas Gerais, foi subido em 1859 a mando de Dom Pedro II (mas é possível que tenha sido subido antes);
  • O Pico Olimpo (1.539 m), na Serra do Marumbi (PR), foi escalado em 1879 pelo Joaquim Olimpio de Miranda e colaboradores;
  • O Monte Roraima (2.723 m) em 1884, pelo inglês Everar Im Thurm;
  • O Pico Forno Grande (2.039 m), situado no Estado do Espírito Santo, foi subido em 1908 pelos irmãos Agostinho e colaboradores
O Dedo de Deus é o símbolo do montanhismo brasileiro, não só pela sua beleza e imponência, como por sua história que, de acordo com a maioria dos montanhistas, marca o início da escalada técnica (alpinismo) no Brasil, fato que aconteceu em grande estilo e foi realmente um marco importante e de repercussão internacional. Um evento que bastante divulgado à época e com enorme apelo popular. E tudo aconteceu em 1912.

** Baseado no livro Montanhismo Brasileiro, Paixão e Aventura de Antonio Paulo Faria, 2006, p. 64 a 67.


sábado, 15 de novembro de 2014

Picos das Três Orelhas (1430 m) (Mangaratiba)




O conhecimento do Parque de Cunhambebe é ainda superficial, até mesmo porque ele ainda não dispõe de nenhuma estrutura ou sequer de uma simples portaria.

O Parque é muito recortado e dividido em uma dezena de setores. Seu miolo fica a oeste e é constituído pelas Serras do Piloto, do Sinfrônio, das Três Orelhas e do Pinto. Para os praticantes de montanhismo, o mais interessante dos setores fica em Mangaratiba: é o da Serra das Três Orelhas, assim chamada devido às três corcovas rochosas que aparecem em sucessão. Talvez seja melhor avistar do que visitar esta formação – segundo soube, a trilha encontra-se muito fechada, pois não é percorrida há cerca de 2 anos e meio.

Mas perto dela existem duas belas montanhas: as Pedras Chata e do Fogo, ambas acima de 1.500m. Os acessos a estas duas formações partem de Lídice, vila que é um distrito de Rio Claro, e bem mais interessante do que este. Eles são parecidos, 8 a 9 km em estradinhas de terra em condições razoáveis, pelo menos no inverno. Suas trilhas percorrem íngremes encostas inseridas na floresta exuberante, com ascensões de 550 a 600 metros.

A Pedra Chata é mais conhecida, com uma subida na direção sul de 4 km, que pode ser feita em 2½ hs. Já o caminho da Pedra do Fogo é mais longo, com 7.5 km no rumo sudeste, que passa por trechos mal definidos de mata e pode demandar até 5 hs só de ida. Do alto das pedras, há uma linda vista da superfície do mar, que envolve a Restinga de Marambaia e banha a planície de Porto Belo, bem como das Três Orelhas e do sertão de Rio Claro.

Igualmente, existem os acessos a duas outras montanhas que, devido aos seus formatos sugestivos, podem ser reconhecidas de longe. São ambas pertencentes à Serra das Três Orelhas - o Pão de Açúcar e o Pico do Papagaio. Confesso, porém, que tenho dificuldade em imaginar as razões para estes nomes, pois não se parecem com seus modelos. Este interessante conjunto de cumes próximos é considerado com razão o cartão postal do Parque.

Comentando sobre os principais pontos turísticos do Parque Estadual Cunhambebe, vamos falar do Pico Três Orelhas, essa formação rochosas projetada na vertente da Serra do Mar, voltada para Rio Ingaíba (Mangaratiba). Possuí escarpas e cercadas de floresta, são difícil acesso, o maior pico chamado de Orelha Maior tem 1430 metros segundo IBGE

 Três Orelhas






Aceitamos doações de fotografias do Pico Três Orelhas, Pedra Chata e Pão de Açucar para Compartilhar com nossos visitante, para que possam vê a necessidade de preservar essa área de esplêndida beleza.

Download Wallpaper grátis: 1600 × 1200  
Crédito:Refugio Limpa Trilha

Visitação ao Parque Estadual do Cunhambebe


O parque ainda não tem sede própria.
Endereço: provisoriamente, o atendimento administrativo é na Gerência das Unidades de Conservação de Proteção Integral (Gepro),  Av. Venezuela, 110, sala 315 - Saúde - Rio -  RJ
Horário administrativo: 9h às 18h
Telefones: (21) 98596-8747 | 98596-5218
Adote a Conduta Consciente
  • Informe-se sobre normas e regulamentos dos locais que vai visitar.
  • Caminhe somente pelas trilhas; atalhos são perigosos e degradam o ambiente.
  • Deixe cada coisa em seu lugar; não risque pedras ou troncos de árvores.
  • Respeite a fauna e a flora: observe animais à distância, não os alimente, não cace nem colete espécies.
  • Não faça fogueiras.
  • Cuide do lixo que você produz até chegar a um ponto de coleta.
  • Leve materiais de primeiros socorros.
  • Informe às autoridades em caso de acidente.
Ao ar livrePasseios, caminhadas, escaladas e muitas outras atividades ao ar livre podem ser feitas sem perturbar o ambiente natural, por isto são atividades permitidas no interior dos parques.
E sempre bom lembrar que a prática de atividades recreativas e esportivas em áreas naturais oferece riscos, inclusive dentro de parques públicos. Saiba mais.
É bom lembrar também que a caça, a captura de animais e a retirada de plantas são condutas ilegais.

Mapa Localização

Visualizar a localização do Parque Estadual Cunhambebe.

Descrição do Parque Estadual do Cunhambebe


O Parque Estadual do Cunhambebe foi criado através do Decreto Estadual nº 41.358 em 13 de Junho de 2008 e possui 38 mil hectares de área e um perímetro de quase 920 quilômetros, com essa área o parque se transformou no o terceiro maior parque Fluminense, atrás apenas do Parque Estadual de Três Picos e do Parque Nacional da Serra da Bocaina.
Quanto aos municípios, Mangaratiba tem a maior área incluída no parque, com mais de 15.800 hectares, o que corresponde a 41% da área desta UC, e grande parte dessa área são de encostas elevadas desse município. Rio Claro tem quase 11.870 hectares incluídos no Parque, equivalentes à cerca de 31% de toda a área. As áreas inseridas no recorte que pertencem a esse município estão concentradas na proximidade dos divisores com os municípios litorâneos e na região da Represa de Ribeirão das Lages. Angra dos Reis responde por aproximadamente 27% de todo o parque, ou cerca de 10.350 hectares. Toda essa área está localizada nas partes médias e superiores das encostas da porção leste do município. Em Itaguaí o parque tem pouco impacto, pois a área desse município é inferior a 500 hectares, que representam somente 1,3% do território proposto para a UC. Essa área está localizada em um pequeno trecho no extremo oeste de Itaguaí e na porção superior da bacia do rio Mazomba.
Os objetivos de sua criação são: assegurar a preservação dos remanescentes de Mata Atlântica da porção fluminense da Serra do Mar, bem como recuperar as áreas degradadas ali existentes; possibilitar a conectividade dos maciços florestais da Bocaina e do Tinguá; manter populações de animais e plantas nativas e oferecer refúgio para espécies raras, vulneráveis, endêmicas e ameaçadas de extinção da fauna e flora nativas; preservar montanhas, cachoeiras e demais paisagens notáveis contidas em seus limites; oferecer oportunidades de visitação, recreação, aprendizagem, interpretação, educação, pesquisa, e relaxamento; estimular o turismo e a geração de empregos e renda; assegurar a continuidade dos serviços ambientais.