Não
podemos fixar uma data para o começo do montanhismo no Brasil, muito
menos achar a paternidade, porque nada disso aconteceu. O montanhismo
brasileiro simplesmente apareceu de forma natural entre os séculos XVIII
e XIX e evoluiu por conta dos próprios brasileiros e também dos
imigrantes.
As
primeiras atividades nas montanhas brasileiras foram realizadas por
garimpeiros e caçadores, e ainda não sabemos nada com relação aos nossos
índios. Os jesuítas, muitos deles imigrantes, também já se aventuravam
pelos topos das nossas montanhas em 1.700. Por exemplo, o Pico do
Papagaio (2.293 m), situado Aiuruoca (MG), já era visitado por jesuítas e
pelos escravos em 1726. Os picos da Serra do Caraça (MG), como
Inficionado (2.068m), Sol (2.072 m) e Carapuça (1.909m), provavelmente
foram subidos pelos jesuítas entre 1770 e 1780. E os topos de outras
montanhas mineiras, entre eleas o Itambé (2.044 m) e Itacolomi (1.620
m), provavelmente já foram visitadas ao longo do século XVIIII pelos
jesuítas, garimpeiros o caçadores.
Em
1763, as pessoas já iam pelo menos até a base das Agulhas Negras (áreas
próxima onde fica hoje o abrigo Massenas), porque o primeiros registro
de neve no Brasile veio de lá e foi naquele ano. Aliás, ninguém sabe ao
certo quem e quando o Pico das Agulhas Negras (2.791 m) foi subido pela
primeira vez, sabe-se apenas que as primeiras tentativas conhecidas
foram feitas em 1856, por José Franklin da Silva (Massena) e
colaboradores. Porém, o crédito é dado a Horácio de Carvalho e José
Borba que, segundo relatos, chegaram ao topo em 1898”. Todavia, o ponto
culminante das Agulhas Negras só seria alcançado em 1919, por Carlos
Spierling, Oswaldo leal e João Freitas.
Neste
mesmo século (XIX), o Pão de Açúcar entra em destaque na história do
montanhismo nacional. A primeira ascensão conhecida, em 1817, foi
atribuída à inglesa Henrietta Carsteirs. Em 1851, 1877 e 1899, várias
pessoas, estrangeiras e brasileiras escalaram o Pão de Açúcar e
posteriormente as subidas se tornaram freqüentes. As primeiras ascensões
tiveram uma certa conotação nacionalista, mas posteriormente passaram a
ser manifestações puramente esportivas. Poderia ter nascido aí o
montanhismo brasileiro, porque depois de várias outras montanhas foram
subidas pelo mesmo propósito, o de aventura esportiva.
A
Pedra da Gávea (842m), também na Cidade do Rio de Janeiro, foi subida
antes de 1828 e na década de 1920, a via de acesso era considerada uma
escalada técnica, como relata a Ata da primeira excursão oficial do
Centro Excursionista Brasileiro, fundado em 1919. (...) O problema é que
não há registro histórico das primeiras ascensões de algumas de nossas
montanhas. De qualquer forma, varias outras de dificuldade técnica igual
ou inferior à Pedra da Gávea e o Pão de Açúcar foram subidas em alguns
estados brasileiros, por exemplo:
- A Pedra do Sino (2.263m), em Teresópilos (RJ), foi subida pela primeira vez pelo escocês George Gardner e dois mateiros de Teresópolis, em 1841;
- O Pico da Bandeira (2.891m), Minas Gerais, foi subido em 1859 a mando de Dom Pedro II (mas é possível que tenha sido subido antes);
- O Pico Olimpo (1.539 m), na Serra do Marumbi (PR), foi escalado em 1879 pelo Joaquim Olimpio de Miranda e colaboradores;
- O Monte Roraima (2.723 m) em 1884, pelo inglês Everar Im Thurm;
- O Pico Forno Grande (2.039 m), situado no Estado do Espírito Santo, foi subido em 1908 pelos irmãos Agostinho e colaboradores
O
Dedo de Deus é o símbolo do montanhismo brasileiro, não só pela sua
beleza e imponência, como por sua história que, de acordo com a maioria
dos montanhistas, marca o início da escalada técnica (alpinismo) no
Brasil, fato que aconteceu em grande estilo e foi realmente um marco
importante e de repercussão internacional. Um evento que bastante
divulgado à época e com enorme apelo popular. E tudo aconteceu em 1912.
** Baseado no livro Montanhismo Brasileiro, Paixão e Aventura de Antonio Paulo Faria, 2006, p. 64 a 67.



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